ࡱ> @B?[1bjbj*>ΐΐ)xx$-//////$HSSh999-9-999%9~09X999SS4x :ANGOLA QUE QUEREMOS Adailton Moreira Costa/ agosto 2007 Angola tem muito a oferecer a aqueles que querem receber algo de Angola; esta foi a minha impresso durante os dezesseis dias em que l estive. Ter tido a oportunidade de conhecer este pas do continente africano to dispare e to nico, me enriqueceu em vrios aspectos, principalmente no cultural, pois, onde as vezes parecia no ter algo original da cultura de Angola por conta da guerra e da ocidentalizao, via surgir como que uma grande exploso das expresses do povo, fosse com a msica, com a culinria, as vestes, o mercado informal das mulheres na feira do Roque Santeiro, do So Paulo, e as ruas em que mostrava toda a exuberncia ambulante do povo em seu dinamismo. Me senti anestesiado socialmente em algumas situaes em que a pobreza chocava. Mas, o que mais me impressionou foi o sorriso que vinha da alma das crianas, pois o sorriso tinha vida; procurava entender de onde saia tanta fora deste povo, j que a situao de vulnerabilidade social em que estas pessoas viviam, era quase que inconcebvel que pudesse haver algum tipo de fora vital para que a alegria, e o calor humano pudesse se expressar. Conheci pessoas e grupos que me transformaram a vida de forma intensa em minha essncia, pois Angola realmente me ofertou coisas que s quem recebe esta ddiva pode pr este sentimento publicamente para fora sem ser piegas. A frica tem uma importncia simblica em minha subjetividade, que s aqueles que me conhecem sabem qual o real peso que este lugar tem para a minha vida. Pude em Angola ver um pouco de minha histria e de meu povo no Brasil, voltei ao recncavo baiano e a cidade de Salvador na Bahia, com os seus cheiros, sabores e ritmos como uma retrospectiva de algum tempo passado da memria coletiva do povo negro baiano, que ao se ver separado dos seus em decorrncia da escravido, volta as suas origens, e vai montando o quebra-cabeas da amnsia forada, e de uma hora para outra comea partir de Angola a se lembrar quem sou eu, e quem somos ns. O calor humano, a hospitalidade deste povo e sua dignidade, digna de ser ensinado para muitos paises ditos civilizados e, desenvolvidos, em que batem no peito o tempo todo de sua evoluo cientifica e tecnolgica. Creio que Angola tem muito a dar a todos ns, mas para isso temos que ter muita humildade, e desconstruir um pouco a nossa arrogncia etnocntrica e egocntrica, de sociedade avanada e complexa que ir salvar este povo dito primitivo de suas mazelas. Fiquei me perguntando a quem interessa a situao de fragilidade social em que est Angola?, preferi no responder e buscar fazer a minha parte na minha reconstruo interna para a ento poder pensar em reconstruir o outro. Ganhei muitos presentes do povo angolano, uns mais valiosos que o outro; que encheram minha alma de Riquezas, que no conseguirei enumerar em pginas: dignidade que brilhava mais que diamante, fora de viver que pesava mais do que ouro, solidariedade que resplandecia como platina. Todas estas jias eu consegui ver e perceber em Angola, ser que sou inocente, ou me permiti visualizar estes aspectos deste povo onde s nos permitimos ver misria? Creio que no, fico feliz de ter tido esta reflexo sobre este povo to belo e forte. O sorriso estampado a cada vez que descobriam que ramos brasileiros, me enchiam de orgulho de descobrir minha brasilidade perdida. Danar com os Mumuilas da comuna do Roque no KM 40, e ver o trabalho primoroso do Copolua me encheram de vontade de fazer algo diferenciado de educao no Brasil. Comer o fungi de mos com calulu e gindungo (pimenta), beber o makau de massambala (bebida fermentada feita de gros) sem lcool, no Kimbo (aldeia) do Chitundo com os Mumuilas em Huila, participar da cerimnia do rito de passagem FICO, onde as jovens a partir da 1 menstruao podem ser consideradas prontas para o casamento, me deram um gs maravilhoso. Ter ido a feira internacional de msica e literatura em Luanda com o companheiro Jos Filho e o Sr. Jorge Kiriri da LADS, e ver a apresentao do grupo cultural musical Tunjila Twa Jokota enche os olhos e a alma de vigor. Ver a instituio ADBECA do Sr. Gomes, em que so assistidas as pessoas refugiadas da regio do Quanza Norte, onde ele desenvolve suas aes sem nenhuma ajuda externa, e mesmo assim ele solidrio, foi timo. Visitar em Huila no Humpata o projeto Onjila de educao formal, um exemplo de fomentao a incluso social a partir da educao, louvvel. Se for enumerar tudo que vi e vivi ficarei aqui eternamente, mas no poderia deixar de omitir tais aes, to importantes , que creio que trabalham pela reconstruo de uma Angola de fato. mnimo o que presenciei para traar verdades sobre Angola, mas uma coisa eu sei que verdade, algumas pessoas se esmeram para serem nossos amigos e nos receber muito bem em seu pas. O carinho e afeto das senhoras da Casa de Passagem de ADRA em Luanda, Queridas Hilda, Tuxa e Adlia, que nos recebeu como parentes que estavam de retorno depois de uma longa jornada, esforando-se para fazer deste espao um lugar de acolhimento, como um ventre que protege, Coisas de mulher. A ateno do caro Batista, que a todo tempo se mostrou solicito dentro de suas possibilidades, mesmo quando via que ficaria difcil de atender se esforava, a nos pegar na casa de passagem. Jamais poderia comparar ambas cidades, pois cada uma uma, o caos urbano de Luanda, consegue encontrar sua ordem nela mesma, e a calma rural de Huila encontra equilbrio em sua dinmica prpria do lugar. Vi e conheci pessoas maravilhosas em ambas cidades como pude demonstrar em meu roteiro de viagem onde detalho as aes e atividades desenvolvidas em ambas cidades, mas observei que no que se refere ao desenvolvimento de REDE, Huila caminha com mais passos firmes, pois existe o exerccio do coletivo, e h um dilogo, permitindo uma participao, e envolvimento maior de todos no processo, saberes e fazeres sendo exercitado, e a participao dos jovens da instituio. A cultura em Huila se mostrou a todo instante, em Luanda pude perceber uma certa falta de interesse, pois as pessoas me diziam que no havia nada relacionado a cura teraputica e aspectos culturais religiosos, e pude ver na RTP TV local de Angola, muitas prticas culturais religiosas, e s a coordenao no podia perceber, me proporam ir a um mdico tradicional chamado Papai Kitoko, que recebe subsdios do governo, para tratar de pessoas com problemas psiquitricos, mas desistir de ir ver, visto o pouco incentivo. No poderia deixar de ressaltar a fora e vigor dos jovens da Kandengues, e a ACJT com sua fala politizada e engajada, prometendo um protagonismo de fato a partir do associativismo juvenil, e sua campanha de preveno ao SIDA, e doenas sexualmente transmitida. Pude atravs das nossas andanas aps as atividades, com o Sr. Jos Filho conhecer a Angola que queramos, fui ao Kazenga, conhecer como as pessoas em periferia vivem, conversar com crianas e jovens, trocar sobre as prticas ainda mantidas de cura popular, pois a questo da sade pblica algo que ainda est distante da maioria da populao. Conversei muito com os povos Mumuilas sobre o uso teraputico das plantas, como fator de sustentabilidade da populao (lgico que fiz a traduo do que queria dizer com estas palavras rebuscadas), pude batucar e falar da importncia de aes afirmativas, para grupos em situao de vulnerabilidade social, decorrente de alijamento social, jogar capoeira, com crianas em situao de rua. Ouvir as mulheres que vendiam nas feiras,e ver a sua importncia na economia do lar, vindo a ser uma provedora no aspecto da manuteno familiar. Mulheres fortes que d orgulho ver, e suas crianas trazidas nas costas, participando de tudo que aquele corpo que a traz faz, intrigou-me as mulheres realizar todas as suas atividades com as crianas as costas,e perceber que tais crianas so extremamente calmas, por estar em contato com aquele corpo que a acolhe, no as vi chorando de forma estressada como em minha sociedade desenvolvida e civilizada. Pude ver estrelas nos olhares destas crianas, e me deu um sentimento de querer devolver este brilho para as nossas crianas brasileiras, para que possam perceber que pode haver transformaes e que juntos possamos modificar esta realidade desigual, em que as pessoas so divididas em classes sociais que se hierarquizam, avaliando o outro pelo que ele representado materialmente. Falar junto com a minha companheira de viagem sobre a realidade do Brasil foi gratificante, nos conhecemos e aprendemos juntos, sobre ns e sobre o outro. Propusemos solues de aes, como a biblioteca circulante para a ALV, a nossa cara companheira Yola de Huila, o trabalho sobre o salo de beleza tnico para a CATE do companheiro Sergio Zeferino, a proposta de se utilizar os heris histricos de Angola em boletins pedaggicos trabalhando a identidade cultural como a Rainha Ginga Nbandi, Agostinho Neto e tantos outros, falar destas atividades com o Ribeiro da Copolua foi uma troca de fato, pude observar o intercmbio materializado nestes contatos. Poder trabalhar artesanato de forma cooperativa com outras instituies, criando o grupo de jovens artesos, de forma associativa e auto-sustentvel, onde mostrei sementes da terra que so usados no Brasil e que h em Angola, bem como outras propostas que cremos serem muito teis para o enriquecimento de todos ns. Uma das experincias mais valorosas foi ter ido a ARRSCA (associao de cegos), em Lubango onde travei um embate comigo mesmo, pois percebi que enxergo muito pouco sobre a vida, foi um verdadeiro aprendizado, onde o ditado cego aquele que no quer ver, literalmente cai sobre ns, eu me senti desafiado a colaborar de alguma forma para a vinda dos companheiros da ARRSCA participar do curso de capacitao do IBC (Instituto Benjamin Constant) no Rio de Janeiro, relao travada e construda em primeiro momento pelos companheiros de Angola Jos Filho e Gouveia quando c estiveram, e que no sei por que foi emperrada na execuo. O Mestre Xilia um exemplo vivo de sabedoria, como os velhos GRIOTs africanos que se encarregam de manter viva a sabedoria e cosmo-viso de Seu povo. Me foi dito por este homem sbio um provrbio que irei guardar pelo resto de minha vida, que pode ser utilizado de vrias formas e situaes que convir, e que irei fechar o meu relatrio, sintetizando-o nesta mxima do meu Mestre Xilia DE QUE ADIANTA MANDAR LAVAR AS MOS, SE NO H GUA PARA SE BANHAR, percebi que preciso primeiro pensar nas primeiras coisas, e me reconstruir, para ento, pensar em reconstruir o outro. AVANTE PIBA, HOJE E SEMPRE ,9:< ) I XUW`; ʾʸĸxĘrlblhC^hTm5aJ hTmaJ hqaJh:\h:\5aJ h:\aJh:\h5aJ haJ h^RaJh|;hK5aJh|;h|;5aJ h|;aJ hKaJ h5aJ hcaJ hWaJhWhWaJh G5>*aJhW5>*aJh) Mh) M5>*aJh) M5>*aJ&:;< #[a@!!"" $gd "*+4>Qt  k,>?RY%&'56U̶̼؃}} hhCaJ h3aJ hE|aJ hU*aJhU*h:45aJ h:45aJh:4h:45aJ h:4aJ hR@aJ haJhC^hq5aJ hqaJ hcaJ hC^aJ hC^5aJhC^hc5aJ hTmaJhC^hTm5aJ1 !!# $ $ $@%%%:);)<)))))F*-++ - --\-h--.+.c.d../#/00013141S11111111111оľľľиĮ hKaJ hE|aJhU*h*Z5aJ h*Z5aJhU*hU*5aJ hU*5aJhU*h:45aJ hLiaJ hXaJ h:4aJ h*ZaJ h_aJ hg:aJ hD4aJ hU*aJ h+aJ haJ hhCaJ hC^aJ2 $ $%%<)=))+ --01111111111111111gd 1111111111 h:\aJh) Mh) MaJ h) MaJh) M5>*aJh|;h:\aJ hE_aJ h|faJ hdwJaJ hnaJ (/ =!"#$% ^ 666666666vvvvvvvvv666666>6666666666666666666666666666666666666666666666666hH6666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666662 0@P`p2( 0@P`p 0@P`p 0@P`p 0@P`p 0@P`p 0@P`p8XV~_HmHnHsHtH8`8 Normal_HmHsHtH>A > Fonte parg. padroXiX  Tabela normal :V 44 la ,k , Sem lista PK![Content_Types].xmlj0Eжr(΢Iw},-j4 wP-t#bΙ{UTU^hd}㨫)*1P' ^W0)T9<l#$yi};~@(Hu* Dנz/0ǰ $ X3aZ,D0j~3߶b~i>3\`?/[G\!-Rk.sԻ..a濭?PK!֧6 _rels/.relsj0 }Q%v/C/}(h"O = C?hv=Ʌ%[xp{۵_Pѣ<1H0ORBdJE4b$q_6LR7`0̞O,En7Lib/SeеPK!kytheme/theme/themeManager.xml M @}w7c(EbˮCAǠҟ7՛K Y, e.|,H,lxɴIsQ}#Ր ֵ+!,^$j=GW)E+& 8PK!.atheme/theme/theme1.xmlYMoE#F{om'vGuرhF[xw;jf7q7J\ʉ("/z'4IA!>Ǽ3|^>5.=D4 ;ޭªIOHǛ]YxME$&;^TVIS 1V(Z Ym^_Ř&Jp lG@nN&'zξ@F^j$K_PA!&gǬへ=!n>^mr eDLC[OF{KFDžƠپY7q~o >ku)lVݜg d.[/_^йv[LԀ~Xrd|8xR{ (b4[@2l z "&'?>xpxGȡIXzg=2>ϫPCsu=o<.G4& h`9Q"LI(q }93̲8ztzH0SE+$_b9rQkZVͣiV 2n*=8OSyZ:"⨹ppH~_/PŴ%#:viNEcˬfۨY՛dEBU`V0ǍWTḊǬXEUJg/RAC8D*-Um6]Ptuyz*&Q܃h*6w+D?CprloSnpJoBӁc3 chϿ~TYok#ހ=pGn=wOikZoiBs͜zLPƆjui&e E0EMl8;|͚ 64HpU0)L O3 e:(xfä)Hy`r~B(ؘ-'4g\вfpZa˗2`khN-aT3ΑV \4  o`v/] f$~p p@ic0As\ @THNZIZ[}i RY\qy$JyϣH9\,AZjyiǛ)D]n|%lڟX̦l熹EЀ > 6ljWY DK/eby_膖L&W`VcJT14fS!:UJ0A?y6Xg1K#[]y%[BTRlwvSLɟ)4.Xt|zx\CJ#Lw@,e_}֜aN}jHP؏T$فdfl,YdTI]Zd+zoPnI hYC=!kk|l1Qn6MBŊ]|-_Ǭf^ Mθڎ`R+Wh1,Q >H *:[䠙A@V_ .ap64+lt^7st G5;Mb8s9x<ڮjI~11qM2%M2K94uo%PK! ѐ'theme/theme/_rels/themeManager.xml.relsM 0wooӺ&݈Э5 6?$Q ,.aic21h:qm@RN;d`o7gK(M&$R(.1r'JЊT8V"AȻHu}|$b{P8g/]QAsم(#L[PK-![Content_Types].xmlPK-!֧6 +_rels/.relsPK-!kytheme/theme/themeManager.xmlPK-!.atheme/theme/theme1.xmlPK-! ѐ' theme/theme/_rels/themeManager.xml.relsPK] ) >11 $18@0(  B S  ?59i q  "*>CGQ $(/:@rv"$+*2NX9"="A"F"%#+#v#}#a%h%''''))):su"+BI@ B  kl%-SY"(((),9:)))))),9)))21 'WXKn2S'")+;-D4|;"Z?R@hC GdwJ) M^R*Z:\>5\C^|fLjmTmq@s4:4KLiXrs g:c>E|3C5_U*jOCjE_))@99899)h@UnknownG* Times New Roman5Symbol3. * ArialA BCambria Math"qʦʦh#Kh#K!24))2HP? 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