ࡱ> UWT9 O.bjbj2dO*lbbbbbbbv v        z | | | | | | $  b      bb    b b z z z bbz  PRRv` z z 0 z  z vvbbbbPOVO XUKUR - "PRA NO DIZER QUE NO FALEI DAS CORES" Por : Adailton Moreira Costa Desde a nossa reunio nacional do PIBA, que aconteceu em agosto do ano passado na cidade do Recife, que ficou acordado que nossa prxima reunio nacional seria realizada na aldeia Xukur que fiquei extremamente ansioso, um pouco fruto da curiosidade em estar em um ambiente totalmente diferente do meu, e um pouco da minha imaginao romntica e idealizada de uma aldeia indgena. Agora em maio pude realizar e saciar a minha vontade de "estar de fato em uma aldeia indgena". O povo Xukur vive no interior de Pernambuco, na cidade de Pesqueira, na Serra de Ororub. Nossa chegada enquanto delegao do Rio de Janeiro foi cheia de percalos, coisa de um mundo informatizado e globalizado, que nem sempre estamos aptos para lidar com o mesmo, informaes truncadas por parte da empresa de aviao, corre-corre, porto de embarque trocado na ltima hora,e ento percebo que no estamos definitivamente prontos para lidar com a pseudo-emergncia da virtualidade informacional, pois tudo virtual, a voz que nos traz a informao virtual, tudo em nome da melhor forma de agilizar o atendimento. "timo! Perdemos o vo". Chegamos na cidade de Recife com 06 (seis) horas de atraso, foi maravilhoso "calma Jandira! Ao chegarmos, as pessoas de Fortaleza j nos aguardavam para seguirmos viagem, junto com Carol do Centro de Cultura Luiz Freire que nos guiaria at Pesqueira. Fiquei um pouco irritado, pois pretendia apreciar a paisagem durante a viagem, como j tinha anoitecido no poderia observar nada. Acabamos por dormir no Centro de formao de lideres do MST, em Normandia, por que a estrada no estava to boa para viajarmos noite. Foi uma experincia e tanto, fomos recebidos pelos jovens e lideranas locais. Comecei a me permitir estranhar o que vivia naquele momento. As instalaes do MST no condiziam com as informaes miditicas acerca deste grupo "organizado" (exatamente! Organizado),que nos bombardeiam todo momento pelos veculos de informao de forma bastante negativa. Fomos prontamente instalados, para seguirmos viagem no outro dia pela manh. Pela manh continuamos nossa jornada, bastante animados ouvindo as msicas do Zeca Pagodinho do seu show em DVD, na Van do Aurlio. Carol se encarregava de nos passar as informaes principais sobre o povo Xukur, assim como os aspectos culturais e polticos da regio, o qual ouvia com ateno e curiosidade. Chegando Pesqueira a ansiedade ia crescendo, pois eu queria chegar logo a minha aldeia idealizada, afoito por chegar ao cho de terra batida, as ocas, os  HYPERLINK "mailto:ndio@s" ndio@s seminus, os artesanatos, paj, xam, entre outra coisas. Eu tinha sido em minha interpretao sobre os ndios, extremamente etnocntrico s avessas. Eu tinha tido uma viso idealizada do campo que iria visitar, baseada em um olhar do antroplogo preconceituoso. Pois os tempos de Bronislau Malinowski, em "Os argonautas do pacfico ocidental", se ressignificou bastante tempo, no estamos mais indo a uma ilha paradisaca Melansia no pacfico ocidental, participando do ritual do Kula. A aldeia tem um carter de cidadezinha do interior, bastante agradvel, as casas so de alvenaria, h motos, automveis, pessoas sentadas na pracinha, crianas brincando, jovens conversando, idosos relembrando suas memrias e contando causos do ontem e do hoje. Definitivamente h dinamismo, um lugarejo como qualquer outro, o diferencial que por trs de todo este ressignificar cultural os moradores so o povo Xukur. A Serra de Ororub um encanto de se apreciar, fiquei contemplativo durante a subida tentando criar uma histria acerca deste lugar to cheio de emblemas, a luta pela terra, a organizao poltica, os primeiros Caciques deste povo; dava para criar um belo roteiro a partir de minhas viagens imaginrias. O lugar muito bonito, e riqussimo de belezas naturais, d para se compreender por que os fazendeiros resistiram tanto em sair das terras dos Xukurs, e engan-los no incio para ficar com as mesmas. Ao chegarmos na cidade, ficamos hospedados em uma casa bastante agradvel no Copixu, e fomos logo dando incio aos trabalhos na escolinha local, a tarde ficou combinado que iramos a um ritual do Tor. Chovia bastante, mas mesmo assim nenhum de ns se demoveu do intento, quando deu o horrio, nos conduzimos at a van e fomos ao local. Ao chegarmos fiquei extasiado com o que me deparei, pois havia cerca de umas 50 pessoas, participando do ritual, sendo que, envolvido diretamente umas 20 pessoas. As pessoas se revezavam nas danas, cantavam muito, as mulheres tem um papel fundamental no ritual, pelo menos neste grupo que observei, pois a irm de um lder participava diretamente do Tor. Ao entrarmos na clareira onde acontecia o Tor no meio da mata, estvamos feito pintos molhados, tal a quantidade de chuva que caa. Os cnticos eram belssimos, havia uma grande exaltao a grande me Tamain (se entendi bem o nome), uma padroeira e protetora dos Xukurs. Fiquei intrigado com certos cnticos que exaltavam as propriedades sagradas da folha da jurema e, consequentemente, a relao de respeito a esta erva por parte dos Xukurs, bem como com alguns momentos de seus cnticos, quando citavam divindades africanas do povo Yorub da Nigria, tais como: Oxal, Ogun e outras menes durante o prprio ritual. Acabei por fazer correlaes histricas sobre esta proximidade, em funo do nome da prpria Serra de Ororub, que se fosse fazer uma traduo rasa da lngua Yorub para o portugus, o nome Ororub seria assim traduzido: (Ororub = oro - ritual - orub - povo Yorub). Dentre os povos Yorub africanos da Nigria trazidos em situao de escravido para o Recife, vale citar os povos Egb, cultuadores de Iyemonj (Iemanj), que se espalharam de forma predominante por todo Recife, tendo at os dias de hoje na cidade do Recife, uma casa de culto fundada por estes negros oriundos dos Egb, sendo tombado pelo Patrimnio Histrico Nacional, conhecida como Stio de Pai Ado, sendo a casa at os dias atuais presidida por um de seus herdeiros Manoel Papai do Nascimento. Colhendo informaes sobre a questo da absoro destes elementos negros na cultura Xukur, me foi relatado por um informante que os Xukurs receberam vrios negros fugidios, na Serra do Ororub. Enquanto hiptese me inclinou por ficar com tal explicao, j que seria a forma mais rpida de explicar tal entrelaamento multicultural e pluritnico, podendo no futuro me aprofundar mais sobre tais hipteses, sem descartar logicamente as relaes sociais que no se dariam somente por este vis. Me lembrei de alguns rituais afro-amerndios que j participei em outros estados do Brasil, como em Salvador na Bahia em que h o culto aos povos da terra (ndios e caboclos) mais predominantemente pelos povos bantu, especificamente os Congo-Angola e os Bantu-Tapuia j quase extinto; So Luis do Maranho com o culto aos Encantados e a Jurema Sagrada; Joo Pessoa com os Mestres da Jurema e no Rio de Janeiro em que se louva bastante a cabocla Jurema e a terra do Jurem, (lugar mtico em que morariam os caboclos e ndios divinizados); Belm do Par e outras regies do pas. A miscigenao dos Xukurs tambm foi um fator de bastante interesse por minha parte, pois pude perceber o arco-ris de cores dos Xukurs, pois esta diversidade racial acaba por lhes conferir uma identidade especfica no que concerne a um pertencimento ao seu grupo. Fiquei me perguntando do alto de minha sabedoria construda em cima do meu cartesianismo, e o meu capital cultural adquirido, como eu poderia conceituar a sua identidade por uma tica descritiva, e me peguei revendo os meus prprios conceitos raciais, Pois os Xukurs me presentearam com este novo olhar, j que eu vi em seu povo esta possibilidade de construo da identidade a partir do pertencimento ao grupo pelo vis cultural e poltico, e no s pelos aspectos fenotpicos expressos. Povo forte e bastante organizado politicamente, os Xukurs tem em Chico um grande promotor e smbolo do esprito de luta do povo, o orgulho de ser Xukur percebido por qualquer um que l for, o povo, assim como os lderes se esmeram em fundir estes conceitos em seu povo, bem como nas novas geraes. Vi vrias expresses do protagonismo e autonomia poltica deste povo singular. A nova gerao Xukur bastante expressiva e participativa nas discusses sociais, polticas e culturais, exemplos no faltaram para reforar tal tese, como: Cristiano Xukur, Claudinha Xukur, Mrcio Xukur, Junior Xukur e tantos outros Xukurs que no pude ter o prazer de ter conhecido. Vai ficar a saudade de ter dado os primeiros passos da dana do Tor com o Junior Xukur foi lindo, pois estvamos descendo a Serra, e teve uma importncia simblica valiosssima, era como que os Xukurs estivessem a partir dali nos acompanhando em nossas mentes na despedida, Tudo foi nobre e valioso. Com certeza Chico soube plantar, boas sementes no corao deste povo maravilhoso, uma delas se chama o Cacique Marquinhos Xukur, seu filho biolgico, que atua de forma ativa na conduo de seu povo, alicerando de forma poltica os primados da construo de uma cidadania plena nos moldes do povo Xukur, e no nos padres hegemnicos ocidentais, resgatando os valores culturais de seu povo, seja nas aes institucionais, voltadas aos intercmbios, seja participando junto com outros atores, de polticas de organizao no s dos Xukurs, mas ajudando a pensar polticas pblicas voltadas para os povos indgenas, como fez Chico seu pai na Constituio de 1988, onde ele ajudou a pensar aes que acabaram por fazer avanar as discusses pertinentes aos povos indgenas, no s pelo seu povo, sendo considerado exemplo e smbolo de luta e resistncia por vrios outros povos indgenas, muito bem relatados pela Val quando de sua explicao sobre o mesmo de forma to doce, com a voz embargada pela lembrana e a saudade. Milton e Chico do SERTA souberam passar de forma bastante emocionada o que este homem-Xukur deixou enquanto legado para todos que o conheceram em vida e o conhecem em funo de sua semente plantada, no corao dos Xukurs. Os Xukurs me presentearam com esta oportunidade de rever conceitos especficos sendo aplicados por um grupo indgena sobre a construo de sua identidade racial, j que, dependendo de onde voc esteja sua identidade vai ser construda pelo grupo social qual voc pertence. Disseram-me que quem sobe a Serra de Ororub e bebe de sua gua nunca mais ser o mesmo, pois nunca mais se esquece do seu povo, fiquei acalentado pela possibilidade futura de um dia poder voltar a to rico lugar, e to rico povo. Que bom que sou brasileiro! Que bom que estou no PIBA! 6KLhijqrN.O.0JOJQJ^JjOJQJU^JjOJQJU^J OJQJ^J5OJQJ\^J 67TUWXZ[9:q  > ? v w   ( P 4 #\'O. {|_`gh  => J@A)56%&h   ( P 4 #\'h i O"^#_#$$&&5'6',,,---....O.  ( P 4 #\'0&P 1h. 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